
Vem, pediste-me, com a tua voz doce como o ar que respiro numa manhã de primavera... Vem, disseste mais uma vez sem pensar em consequências... Vou, disse e fiz, num ápice que nem deu para que se notasse o meu passo, num ápice que nem se viu o meu gesto, não se notou a minha incansável insistência no teu olhar, não se notou a minha ilustre paixão pelo teu ser...
Um gesto, fazes, um gesto do qual me recordo com toda a intensidade do momento em que já é passado mas que está aqui, presente no meu presente de hoje, real nesta realidade da vida, com cor como o sangue que nos corre nas veias, com odor e com tacto como o nosso primeiro encontro... Sinto no meu paladar o sabor do teu beijo, sinto o teu cheiro e sinto o teu corpo colado ao meu, quente e suado, acordo e vejo-te... Um raio de Sol ilumina o nosso ninho e ilumina o teu rosto, olhas-me...
Um olhar profundo, um olhar no qual mergulho, na sua imensidão sinto, um olhar único, inalcansável para os demais, um olhar apenas e só meu, apenas e só para mim...É meu esse teu olhar, que me mata e que me dá vida, que me deixa em paz e que faz com que os meus poros se revoltem...o teu olhar...meu...
Quero que saibas que estou aqui, espero-te no nosso ninho, espero que chegues para que possa contar-te todos os meus segredos, até aqueles segredos que escondo de mim própria... Confio em ti e quero entregar-te a chave do meu coração... para que a guardes... para que a leves... para que sintas que sim... para que sintas que era eu quem tu ansiavas encontrar...

Guardarei...
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